Sou amplamente a favor do direito ao aborto, da eutanásia e ortotonásia. São escolhas do indivíduo. Não é questão de ser certo ou errado, nem tudo é tão simples. Tb acho que prender alguém por porte de drogas não leva a lugar algum. Se o Código Penal como está for aprovado, será um avanço. Embora dificilmente será. Abaixo segue um trecho que selecionei de um artigo do O GLOBO que explica bem as propostas.
Publicado em 21 de julho de 2006, por Fernanda Krakovics:
"Pelo anteprojeto do novo Código Penal, não serão mais considerados crimes os casos de aborto em que dois médicos atestarem que o feto sofre de anecefalia (ausência de cérebro) ou padece de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida fora do útero. o texto da comissão também permite a interrupção da gravidez até a 12ª semana de gestação quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não tem condições de arcar com a maternidade. Hoje, as exceções permitidas são gracidez fruto de estupro e de risco de vida para a mãe. Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) legalizou a interrupção da gravidez de fetos anecéfalos.
"A proposta dos juristas libera ainda a ortotanásia e, no caso da eutanásia, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, avaliando as circunstâncias do caso, bem como a relação de parentesco ou estreitos laços de afeição com a vítima.
"Quanto às drogas, o texto descriminaliza o porte e o plantio para consumo pessoal, mas trata como crime o uso em locais públicos frequentados por crianças e adolescentes, ou mesmo nas proximidades de escolas. A lei em vigor prevê que o usuário seja submetido a advertência, prestação de serviços comunitários ou comparecimento obrigatório a programa ou curso educativo.
"No texto apresentado pelos juristas, o porte para uso próprio foi definido como quantidade suficiente para o consumo médio individual de um usuário por até cinco dias. A Agência Nacional de VIgilância Santiária (Anvisa) será responsável por calcular o consumo médio.
(...)
"Além desses pontos de fundo moral, o anteprojeto classifica como crime o enriquecimento incompatível com a renda declarada por políticos, juízes e demais servidores públicos; passa a considerar crime o jogo do bicho que hoje é apenas contravenção; e aumenta as penas para grampos ilegais e maus tratos a animais."
domingo, 22 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
SUPERGIRL FLAGRADA SEM CALCINHA NO COMBATE AO CRIME!!!!
Parece que a heroína Supergirl anda esquecendo uma parte básica do uniforme. Enquanto lutava com uma gangue de assaltantes, sua minissaia deixou escapar imagens de sua mais nova "arma" no combate ao crime. E que arma! Os papparazi fizeram a festa e fotos dela sem calcinha apareceram em vários sites da internet. Inclusive o número de assaltos em Metropolis aumentou, porque muitos nutriam a esperança de olhar por debaixo da saia da justiça.
Em seu twitter, entre mensagens de solidariedade de seus seguidores, a heroína se manifestou: “Entrarei com um processo contra o Google caso as fotos não sejam retiradas.”
Mas parece que a coisa não vai parar por aí, pois um ex-namorado da kriptoniana já anunciou que pretende disponibilizar uma sextape em breve.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Quando um nerd vai a um estádio de futebol
Pessoas arrumadas das mais variadas espécies cruzavam a noite de segunda-feira em direção ao estádio João Havelange, o Engenhão. Seria a final do campeonato brasileiro? Não. Era o show do Paul McCartney.
Há muito tempo morando por essas bandas, nunca vi gente tão bem ajeitada andando pelas ruas do subúrbio; os vagões de trem deviam até estar cheirando a perfume. E se algum dia os Beatles ofenderam os ouvidos mais conservadores, agora Paul dava show até pro tio que saía do trabalho para beber umas cervas, com o som do britânico de fundo, que para ele podia ser Michael Jackson retornando dos mortos que tanto faz tanto fez.
Mais popular não podia. E minha família não quis ficar de fora, se juntou a torcida organizada para ver se, ao menos sozinho num campo de futebol, Paul McCartney conseguiria fazer um gol. E quando eu falo família, coloca na conta pai, mãe, irmão do meio, irmão no fim da vida e suas respectivas cunhadas. Vovó só não foi por estar muito doidona depois de ter misturado remédios para raquitismo e red bull. Como era pertinho o Engenhão – da varanda do meu apartamento era visível o halo de luz emanando do estádio – decidimos ir movidos à sola de nossos sapatos. Parando apenas para comprar cocada – meu pai perderia o show mas não uma cocada – e alterando a rota para desviar das várias minas orgânicas(cocô), levamos por volta de 20 minutos, talvez menos.
Logo descendo a passarela que atravessava a linha de trem do Engenho de Dentro, um guia indicava por onde as pessoas deveriam seguir de acordo com a área comprada. Bem, a nossa era para os lugares mais baratos, na parte superior oeste do estádio e o guia explicou educadamente que deveríamos andar até o final da rua, virar a direita, fazer um retorno e que então encontraríamos a nossa entrada. Já para o grupo de rapazes com roupas que custavam os nossos ingressos ele apontou para um portão atrás da gente e disse:
-É logo ali. Mas esperem aqui que um carro levará vocês. Não queremos que se cansem antes do show, não é mesmo!
Ó vida injusta! Fomos para o nosso cantinho junto com um montão de gente. Entrada tranqüila. Chegamos finalmente às arquibancadas. Era cadeiras para baixo, cadeiras para cima, pros lados, cada uma com um ser humano recém-plantado. Lá embaixo, no que antes era o campo, um monte de palitinhos andando para um lado e pro outro, e o palco, no fundo, desabitado de estrelas da música. Como por perto já não havia cadeira vaga, tivemos de escalar os degraus até o cume do Engenhão. Eu não largava do corrimão com medo de cair. Quem errasse o pé e se estabacasse iria causar a maior avalanche já vista num show. Rock and roll. A avalanche, porém, não se fez, e fincamos nossa bandeira ilesos, no último patamar. Dali, a lua ficava mais perto do que o palco, mas não era problema. Trouxemos um binóculos. Por ele vi o Paul chegar como se tivesse saído de seu cartaz, balançando a guitarra, vestindo um terninho com colete. A música: The Magical Mystery Tour. Gritos, aplausos, assobios, várias tentativas de dança por parte dos brasileiros que agem como se estivessem num churrascão de domingo não importa aonde vão.
Vieram mais músicas dos Beatles, mais músicas solo do Paul - momento quando as pessoas se aquietavam um pouco e retiravam-se para o banheiro. Às vezes eu era distraído das canções nostálgicas pela minha mãe que, balançando a mãozinha em sinal de apreciação ao show, acabava por me dar alguns tapas na cabeça. Nada que pusesse em risco a minha diversão, só a minha saúde.
E assim passaram 3 horas. Sem praticamente interrupções, parando apenas para trocar de instrumentos, ukuleles, piano, guitarra de um jeito assim, guitarra de um jeito assado; e parando também para se livrar de algumas peças de roupa. Afinal, que britânico nos trópicos resiste a afrouxar a gravata e se livrar do coletinho? O striptease recatado foi o bastante para agitar as senhoras que jamais pensaram em ver Paul McCartney tão pelado.
Terminado o show, hora de apertar a descarga do Engenhão e despejar o admirável público na rua. Na passarela da estação de trem, principal ponto de escoamento, houve até engarrafamento. Só se dava um passo quando a pessoa de frente dava outro passo. Parecia cena de refugiados de guerra, só que invés das caras tristonhas e desoladas, sorrisos e comentários sobre o show recente.
A pé voltamos para a casa; a noite ainda carregada com eletricidade, como uma televisão que acaba de ser desligada. Quanto mais nos afastávamos mais as luzes, o burburinho, a tal eletricidade se enfraquecia e nós também. Foi bom ver que a música ainda podia agitar as pessoas. Cansado, eu queria a cama, sabendo que outro show assim só no mundo dos sonhos mesmo.
Há muito tempo morando por essas bandas, nunca vi gente tão bem ajeitada andando pelas ruas do subúrbio; os vagões de trem deviam até estar cheirando a perfume. E se algum dia os Beatles ofenderam os ouvidos mais conservadores, agora Paul dava show até pro tio que saía do trabalho para beber umas cervas, com o som do britânico de fundo, que para ele podia ser Michael Jackson retornando dos mortos que tanto faz tanto fez.
Mais popular não podia. E minha família não quis ficar de fora, se juntou a torcida organizada para ver se, ao menos sozinho num campo de futebol, Paul McCartney conseguiria fazer um gol. E quando eu falo família, coloca na conta pai, mãe, irmão do meio, irmão no fim da vida e suas respectivas cunhadas. Vovó só não foi por estar muito doidona depois de ter misturado remédios para raquitismo e red bull. Como era pertinho o Engenhão – da varanda do meu apartamento era visível o halo de luz emanando do estádio – decidimos ir movidos à sola de nossos sapatos. Parando apenas para comprar cocada – meu pai perderia o show mas não uma cocada – e alterando a rota para desviar das várias minas orgânicas(cocô), levamos por volta de 20 minutos, talvez menos.
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| Meu pai perguntando ao vendedor: "O senhor também vai pro show?" |
-É logo ali. Mas esperem aqui que um carro levará vocês. Não queremos que se cansem antes do show, não é mesmo!
Ó vida injusta! Fomos para o nosso cantinho junto com um montão de gente. Entrada tranqüila. Chegamos finalmente às arquibancadas. Era cadeiras para baixo, cadeiras para cima, pros lados, cada uma com um ser humano recém-plantado. Lá embaixo, no que antes era o campo, um monte de palitinhos andando para um lado e pro outro, e o palco, no fundo, desabitado de estrelas da música. Como por perto já não havia cadeira vaga, tivemos de escalar os degraus até o cume do Engenhão. Eu não largava do corrimão com medo de cair. Quem errasse o pé e se estabacasse iria causar a maior avalanche já vista num show. Rock and roll. A avalanche, porém, não se fez, e fincamos nossa bandeira ilesos, no último patamar. Dali, a lua ficava mais perto do que o palco, mas não era problema. Trouxemos um binóculos. Por ele vi o Paul chegar como se tivesse saído de seu cartaz, balançando a guitarra, vestindo um terninho com colete. A música: The Magical Mystery Tour. Gritos, aplausos, assobios, várias tentativas de dança por parte dos brasileiros que agem como se estivessem num churrascão de domingo não importa aonde vão.
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| A nossa vista. |
E assim passaram 3 horas. Sem praticamente interrupções, parando apenas para trocar de instrumentos, ukuleles, piano, guitarra de um jeito assim, guitarra de um jeito assado; e parando também para se livrar de algumas peças de roupa. Afinal, que britânico nos trópicos resiste a afrouxar a gravata e se livrar do coletinho? O striptease recatado foi o bastante para agitar as senhoras que jamais pensaram em ver Paul McCartney tão pelado.
Terminado o show, hora de apertar a descarga do Engenhão e despejar o admirável público na rua. Na passarela da estação de trem, principal ponto de escoamento, houve até engarrafamento. Só se dava um passo quando a pessoa de frente dava outro passo. Parecia cena de refugiados de guerra, só que invés das caras tristonhas e desoladas, sorrisos e comentários sobre o show recente.
A pé voltamos para a casa; a noite ainda carregada com eletricidade, como uma televisão que acaba de ser desligada. Quanto mais nos afastávamos mais as luzes, o burburinho, a tal eletricidade se enfraquecia e nós também. Foi bom ver que a música ainda podia agitar as pessoas. Cansado, eu queria a cama, sabendo que outro show assim só no mundo dos sonhos mesmo.
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| Antes do show, no acesso ao Engenhão. Os equipamentos de montanhismo estão escondidos. |
domingo, 8 de maio de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Enterrado Vivo (Buried)
O que é o que é: é sádico, faz você se contrair no sofá, falar sozinho e entalar o seu coração na garganta? Sabe a resposta? Não? Pois te digo. Enterrado Vivo, o filme de Rodrigues Cortez, lançado ano passado, assistido por mim em DVD nessa quinta. Devo dizer que é impressionante. Um baita filmão de suspense. Muito mais inovador que essas besteirinhas em 3D que Hollywood anda investindo. A sinopse é o título: um homem acorda dentro de um caixão, amordaçado, com um isqueiro. Ele encontra um celular, todo em árabe; que se torna sua única salvação e conexão com o mundo.
E caralho, o mundo é sádico. Todos os diálogos são bem escritos e terrivelmente frios. Há um certo humor, típico de pesadelos e ao mesmo tempo verossimilhante. Quer dizer, você não vai querer sua vida dependendo de atendentes de telefone, cara, não mesmo. Se você acha que é torturador ouvir aquela conversa padrão, “senhor disque 1 para isso disque dois para isso, informe o não sei o que, boa tarde como posso ajudar?”; imagine ouvir isso dentro de um caixão.
Os movimentos de câmera castigam ainda mais você e o personagem. É o melhor da narrativa clássica, explorando cada canto do cenário. Gostei particularmente de pequenos zooms rápido em momentos de ansiedade e diálogos de pergunta e resposta rápidos. Há uma espécie de panorâmica incrível em que a câmera dá um giro de 180, partindo do rosto desesperado do protagonista, filmando o tampo do caixão e terminando nas suas pernas.
Confesso: o fato de Ryan Reinolds estar no elenco me desanimou na primeira vez q ouvi falar de Enterrado Vivo, mas, putz! retiro as minhas palavras. Fez um bom trabalho o cabra. Podia manter essa qualidade, apesar de tudo indicar a volta de Ryan aos enlatados de sempre. E ótima atuação também daqueles de que só se escuta, mas não se vê: as vozes do filme, o elenco além da tela. Conseguiram realmente passar personalidade e falta de personalidade apenas ablando, just talking, no tom.
Acima de tudo, Enterrado Vivo é uma forma menos óbvia de criticar a política do Tio Sam. (alô Cameron e ex-mulher) Só um não-norteamericano pra fazer uma produção norteamericana de qualidade. Viva aos espanhóis!
E caralho, o mundo é sádico. Todos os diálogos são bem escritos e terrivelmente frios. Há um certo humor, típico de pesadelos e ao mesmo tempo verossimilhante. Quer dizer, você não vai querer sua vida dependendo de atendentes de telefone, cara, não mesmo. Se você acha que é torturador ouvir aquela conversa padrão, “senhor disque 1 para isso disque dois para isso, informe o não sei o que, boa tarde como posso ajudar?”; imagine ouvir isso dentro de um caixão.
Os movimentos de câmera castigam ainda mais você e o personagem. É o melhor da narrativa clássica, explorando cada canto do cenário. Gostei particularmente de pequenos zooms rápido em momentos de ansiedade e diálogos de pergunta e resposta rápidos. Há uma espécie de panorâmica incrível em que a câmera dá um giro de 180, partindo do rosto desesperado do protagonista, filmando o tampo do caixão e terminando nas suas pernas.
Confesso: o fato de Ryan Reinolds estar no elenco me desanimou na primeira vez q ouvi falar de Enterrado Vivo, mas, putz! retiro as minhas palavras. Fez um bom trabalho o cabra. Podia manter essa qualidade, apesar de tudo indicar a volta de Ryan aos enlatados de sempre. E ótima atuação também daqueles de que só se escuta, mas não se vê: as vozes do filme, o elenco além da tela. Conseguiram realmente passar personalidade e falta de personalidade apenas ablando, just talking, no tom.
Acima de tudo, Enterrado Vivo é uma forma menos óbvia de criticar a política do Tio Sam. (alô Cameron e ex-mulher) Só um não-norteamericano pra fazer uma produção norteamericana de qualidade. Viva aos espanhóis!
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